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31 de maio de 2012

VIGILANTE: O genial thriller policial de William Lustig.


A série DESEJO DE MATAR, estrelada por Charles Bronson, é o mmelhor exemplo de uma saga sobre vingança onde o herói age fora da Lei devido ás injustiças do sistema. Os filmes com Clint Eastwood encarnando o policial DIRTY HARRY também tem grandes momentos dentro desse Gênero  desprezado por muitos críticos esnobes mas que tem uma filmografia vasta com títulos muito importantes mundo afora, dos franceses aos italianos, esses últimos muito bem representados por diretores do calibre de UMBERTO LENZI e ENZO CASTELLARI, passando pelos asiáticos geniais e clássicos. William Lustig, o homem que nos presenteou com o magnífico: MANIAC e a luxuosa distribuidora de DVDs e BLU RAYs: BLUE UNDERGROUN,  dirigiu em 1983 um filme fodaço de Ação e Violência cultuado até hoje: VIGILANTE.



Auxiliado por um roteiro preciso e uma trilha sonora antológica de: JAY CHATTAWAY, Lustig narra a angustiante busca de justiça de um policial que tem a mulher gravemente ferida e o filho morto por uma gangue de marginais violentos e muito, mas muito filhos da puta. Já na abertura Lustig usa de seus talentos na construção do suspense mostrando com singular exercício de estilo, um estupro em um prédio. A sequência do ataque da gangue  na casa do policial é brilhante, muito bem realizada e com uma carga de tensão e violência impressionantes. Após uma série de injustiças a vingança toma a forma de um eletrizante thriller com sequências sensacionais e de rara composição que remetem inclusive a um dos maiores estetas da violência no Cinema: SAM PECHIMPAH. Boas cenas de perseguição, uma ótima sequência em um quarto de hotel barato e um final explosivo são outros dos muitos ingredientes desse filmaço que vale a pena ser revisto e redescoberto. ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL !!!

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26 de maio de 2012

RABIES: Um thriller surpreendente de Aharon Keshales e Navot Papushado.


É muito gratificante ainda poder se surpreender com um filme de gênero atualmente, ainda mais quando esse filme surge de uma cinematografia marcada por filmes politicamente engajados e Dramas humanos sensíveis como a de Israel. RABIES, 2011 é daqueles filmes que desconstroem totalmente um subgênero, recriando toda uma idéia de clichês sedimentados com o tempo. A dupla de jovens diretores que produziu RABIES pega a fórmula do slasher clássico, com jovens perdidos em uma floresta e destrói todas as nossas expectativas construindo um roteiro inteligente, surpreendente e de rara sofisticação narrativa. Trabalhando com atores em uma mesma locação, parece criar uma Fábula Moral, onde duas garotas acompanhando dois amigos de carro atropelam um sujeito que foge da tal floresta onde se encontrava preso com uma amiga em uma espécie de bunker subterrâneo. Um silencioso assassino, um caçador e seu cão e dois policiais complementam as personagens dessa tensa narrativa que, quase em tempo real mostra como o ser-humano pode se transformar em um monstro sanguinário em situações extremas e onde absolutamente nada é aquilo que parece e tudo pode acontecer.


As pessoas imersas na simbólica floresta parecem vírus agressivos que contaminam com seu sangue e sua raiva aquele ambiente sereno, bucólico e harmônico da natureza. Não existem nesse filme assassinos mascarados com  machados correndo atrás de jovens tagarelas e idiotas, não que isso não seja divertido, as décadas de 70 e 80 estão cheias de filmes assim e eu gosto de muitos deles, mas RABIES foge totalmente desse universo com um roteiro que nos surpreende  auxiliado por uma montagem muito bem realizada que proporciona um ritmo todo especial e deixa lacunas a serem preenchidas pelo espectador assim como une ações semelhantes de maneira primorosa. O filme é muito simples, usa com criatividade a linguagem cinematográfica sem pirotecnias, com a câmera na mão muitas vezes e com um aprofundamento das personagens que são muito bem trabalhadas.


RABIES é um retrato sarcástico e niilista da condição humana, sem retoques. O Gore aparece de maneira pontual e não desaponta os fãs, mesmo não sendo tão extremo como de  costume nas atuais produções. A sequência onde uma vítima é enterrada ao som do celular onde recebe uma mensagem dizendo que vai ser pai, é uma amostra desse niilismo amargo que permeia o filme. Os Diretores afirmaram em uma entrevista durante o Fright Fest de Londres que     uma das influências do filme é o clássico italiano, já comentado por aqui: HITCH HIKE, e na cena final após a apresentação dos atores,  essa influência fica muito mais explícita. RABIES percorreu diversos festivais de Cinema mundo afora, além do Fright Fest de Londres, passou até pelo badalado TRIBECA de Nova Iorque. Recentemente recebeu o prêmio de Melhor Banho de Sangue no tradicional FANTASPOA de Porto Alegre.

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19 de maio de 2012

LA VIA DELLA DROGA aka THE HEROIN BUSTERS: Um genial filme de Ação do Mestre: Enzo Castellari.


Nesse final de semana precisava de um filme muito especial para me emocionar, para me transportar para dentro de sua trama e me fazer sentir o coração batendo de emoção sincera. Como eu sempre digo, os filmes acabam nos encontrando nos momentos certos e nesse sábado a noite a mágica aconteceu novamente. Pude saborear o fabuloso filme de um de meus heróis do Cinema de Gênero Italiano: ENZO CASTELLARI, o homem por trás do BASTARDOS INGLÓRIOS de 1978, que inspirou Tarantino a realizar sua Obra-Prima homônima. O filme de Castellari em questão é: LA VIA DELLA DROGA aka THE HEROIN BUSTERS, 1977, com os cultuados atores: FABIO TESTI e DAVID HEMMINGS encabeçando o elenco sensacional. Sublinhando tudo, uma trilha sonora muito inspirada dos meninos do GOBLIN em seu auge, em sua melhor fase. A Fotografia precisa e sem exageros ficou a cargo do talentoso:GIOVANNI BERGAMINI, que colaborou com Castellari em Bastardos Inglórios e com Umberto Lenzi no Clássico: Cannibal Ferox.


WOLFANGO SOLDATI no pael do viciado em heroína: Gilo, rouba a cena com suas crises de abstinência e em seu cotidiano sórdido e violento muito mais explorado do que a questão da investigação policial em si. Hemmings interpreta o lado da Lei e Testi o lado dos traficantes, dos malvados, mas Castellari não transforma essas representações em marcas maniqueístas e com o passar do tempo passamos até a torcer pelo ‘Vilão”. As sequências de ação, com perseguições e tiros, são muito interessantes, bem ao estilo do Filme Policial Italiano, e por que não dizer europeu de recriar esse gênero tão presente e difundido pelo Cinema Norte-Americano. A longa sequência da perseguição das motocicletas no túnel e fora dele são incríveis, muito bem filmadas e sem a preocupação de serem virtuosas. O filme tem a marca, o estilo de Castellari do início ao fim.


Na abertur vemos o caminho do transporte e distribuição da heroína em várias partes do mundo, de Hong Kong até Roma. É impressionante como a trilha sonora do Goblin tem uma força diegética, isso fica muito evidente em vários momentos como no tiroteio no edifício em construção. Montagem precisa e bons atores conseguem construir um filme mais indicado ao público maduro e já iniciado no Cinema de Gênero. Sua primeira metade não é alucinada nem muito violenta pois o filme constrói a atmosfera de suspense e ação aos poucos sem pressa culminando em uma inacreditável perseguição entre dois aviões pequenos que culmina em um final inesperado. Obrigatório e altamente recomendado.



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17 de maio de 2012

LE ORME: Um surpreendente thriller psicológico de Luigi Bazzoni.


Mil perdões pela ausência de posts, adoraria poder postar diariamente, mas está difícil, embora brevemente os posts terão maior regularidade. Uma série de problemas e     decepções que se acumulam com o tempo me deixaram letárgico demais. Mas sempre existem filmes que são verdadeiros milagres, que nos fazem retomar a fé e a esperança no ser-humano. LE ORME, 1975, é um desses filmes. Com a Musa: FLORINDA BOLKAN protagonizando, o filme de Luigi Bazzoni é um surpreendente e perturbador thriller psicológico  de rara beleza e composições virtuosas que ficam a cargo do Mestre da Fotografia Cinematográfica: VITTORIO STORARO, que imprime seu talento arrebatador na construção de velos planos gerais e de interiores de sublimes tensões cromáticas e luzes inusitadas, carregando o filme de uma atmosfera delirante  e tensos mistérios que cercam a personagem de Bolkan, uma portuguesa radicada na Itália que após uma estranha crise de estresse acaba se refugiando em uma bela e misteriosa cidade na Turquia, na baixa temporada do local, com poucos turistas e vazios impactantes.


Muito interessante é a subtrama do filme monocromático de ficção científica protagonizado pelo genial: KLAUS KINSKI. I tal filme faz parte dos sonhos recorrentes da personagem de Bolkan e inicialmente não conseguem fazer um sentido óbvio, reforçando o teor surreal da trama. A imagem dos astronautas, as pegadas que se referem ao título, tudo contribui para que o filme nos transporte por seus mistérios e por suas imagens realmente inesquecíveis. Um filme para ser sentido, saboreado como uma iguaria rara e muito sofisticada...

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2 de maio de 2012

LOVE IS THE DEVIL: STUDY FOR A PORTRAIT OF FRANCIS BACON: Um mergulho perturbador nas profundezas da alma de um Gênio da Pintura.


Que FRANCIS BACON foi um dos maiores pintores do Séc XX disso não tenho dúvida alguma. Suas pulsões cromáticas tão singulares, suas deformações geniais da figura humana, principalmente dos rostos com um expressionismo tão ou mais intenso que o de Munch, por exemplo, fazem de suas imagens um estudo perturbador e ao mesmo tempo de rara beleza sobre a condição humana, a solidão, a culpa e o desejo interdito. Na noite dessa quarta feira fomos na Sessão Comodoro onde finalmente pude me deslumbrar com grande presente para os sentidos, o magnífico: LOVE IS THE DEVIL, 1995, de JOHN MAYBURY. Vencedor de diversos prêmios em festivais de cinema, infelizmente NUNCA foi exibido comercialmente no Brasil. Quem conhece os distribuidores coxinha que temos por aqui, imagina o porquê...


O filme não é uma biografia formal e careta sobre a vida e a obra de Bacon. O roteiro engenhoso do próprio Diretor optou por situar o filme no período em que o notório Pintor irlandês teve um tórrido romance com o marginal e lutador de boxe George Dyer. No papel de Bacon  o grande ator: DEREK JACOBI, em uma interpretação devastadora, é incrível a sua performance, de uma entrega que só os grandes atores são capazes de se jogar, indo além do abismo. E no papel de Dyer, o ainda não mega astro: DANIEL CRAIG, atualmente encarnado  o Agente 007. A grande cumplicidade dos atores nos proporcionam tórridas e inesperadas cenas de sexo e nudez, com uma atmosfera sombria e tensa permeado todas as ações, em um relacionamento onde inicialmente o papel viril e dominador de Dyer passa por uma trágica reviravolta.


A trilha sonora do genial Ryiuchi Sakamoto é muito interessante, se integrando às imagens com uma sutileza muito particular. A  beleza dos enquadramentos e as tensões e camadas cromáticas remetem à obra de Bacon, mesmo não aparecendo no filme as obras do autor. Os rostos quase desfocados e deformados pela câmera e alguns momentos onde surge o grotesco como categoria estética, são exemplos dessa maneira criada pelo Diretor para simbolizar os maneirismos pictóricos de Bacon. Uma das sequências mais sublimes é a da luta de boxe onde as luvas vermelhas se destacam para, em um crescendo de tensão tornar toda luminosidade vermelha após um jorro de sangue, simplesmente um momento de raro virtuosismo cinematográfico.. Imagens especulares simbolizam os famosos auto-retratos do artista. As sombras do quarto e do ateliê são reveladoras. Sua obsessão pela figura humana, por sua relevância na arte é o grande mérito de Francis Bacon que consegue desconstruí-la criando obras únicas. Apesar de seus fantasmas, suas obsessões e seu desejo incontrolável de pintar, viveu mais de 80 anos,  vivendo o final de sua vida na Espanha. Foi mais um grande prazer cinéfilo poder degustar essa rara iguaria cinematográfica, indicada para paladares muito exigentes. Um dos filmes mais impactantes de todaa minha vida, sem dúvida... Parafraseando o título do filme, o amor pode se transfigurar em um demônio, daqueles que fascinam e ao mesmo tempo escravizam, mas que antes de tudo podem nos inspirar tanto a ponto de criarmos obras de arte com um longo poder de permanência...


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23 de abril de 2012

LIVIDE: A nova Obra Prima de Alexandre Bustillo e Julien Maury.


Ainda me lembro do grande impacto que tive ao ver pela primeira vez: A L’INTÉRIEUR aka A INVASORA em 2007, dirigido pela dupla: ALEXANDRE BUSTILLO e JULIEN MAURY, com a presença em cena de uma soberba e demoníaca Beatrice Dalle, vestida de negro e empunhando sua afiada tesoura. A releitura muito particular do universo de Fulci e Argento, a força em cena do gênero feminino como protagonista do horror extremo, a criatividade do roteiro fizeram desse filme um marco do Cinema Fantástico Contemporâneo. Após o impacto desse filme genial uma pergunta pairou no ar: I quê esses talentosos diretores franceses fariam no seu longa seguinte ? A resposta veio sob a forma de mais uma Obra Prima do Horror Cinematográfico Europeu: LIVIDE, 2011.


Um singular mergulho nos abismos mais sombrios da alma feminina. Assim poderia ser definido esse filme onde mais uma vez  as mulheres protagonizam como sinistras representações do Monstruoso Feminino, no melhor estilo das musas sangrentas e góticas dos clássicos de Mario Bava e Dario Argento. O encontro entre uma jovem com a decrépta figura de uma velha paralisada em uma cama, respirando por aparelhos e recebendo constantes transfusões de sangue é o ponto de partida dessa fábula macabra onde a figura quase mítica da bailarina é subvertida em uma teia de horror e morte, encenada em uma noite interminável em uma mansão isolada na floresta. Parece que as bailarinas de Degas se transfiguraram em demônios sépia em sua Dança da Morte. SUSPIRIA e seus elementos de Conto de Fadas mesclados com o Balé e a onipresença da Bruxa e seu desejos de poder e destruição é uma das referências mais nítidas em LIVIDE. Claro que CISNE NEGRO não poderia deixar de ser citado, mas nossa dupla de diretores consegue imprimir um estilo muito pessoal, tendo como grande aliado o magnífico Diretor de Fotografia: LAURENT BARÈS, que colaborou com eles no longa anterior e no thriller violento: A FRONTEIRA, de XAVIER GENS, 2007.


A composição das figuras femininas que assombram a mansão surgem como representações sublimes do Monstruoso Feminino. A velha acamada e seu respirador remete a figura da velha morta do terceiro episódio de BLACK SABBATH de Mario Bava em uma icônica representação da figura do Cristo Morto de Mantegna, representação quase onipresente no Cinema e com especial destaque nos clássicos: MAMMA ROMA de Pasolini e 2001-Uma Odisséia no Espaço de Kubrick. As bailarinas fantasmagóricas e sua coloração sépia tem um forte efeito cromático, sem esquecer a diferente coloração dos olhos da protagonista. A imagem da mariposa que sai de um livro, encontra no final      uma brilhante conexão dentro do criativo roteiro. Uma inusitada mistura de vampirismo e canibalismo subverte ainda mais a figura da bailarina com o contraste do sangue no inocente vestido branco e na inusitada cena de levitação. Um filme, assim como AMER, cheio de pequenos diamantes e mistérios insolúveis que o colocam em um lugar de destaque no Gênero Fantástico. LIVIDE é simplesmente um filme arrebatador...

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22 de abril de 2012

LA CAMPANA DEL INFIERNO aka A BELL FROM HELL: Um Clássico esquecido do Cinema de Horror Espanhol.


Existem muitos tesouros cinematográficos que o tempo se encarrega de trazer a tona seja através das novas tecnologias, ou redescoberta das novas gerações de cinéfilos e críticos. LA CAMPANA DEL INFIERNO aka A BELL FROM HELL, 1973, é um desses filmes que nos trazem aquele saudável questionamento: “ Como pude ficar até agora sem ter visto esse filme ?”. Dirigido por CLAUDIO HUERÍN, o filme ainda tem na Direção, a contribuição não creditada de JUAN ANTONIO BARDEM. Guerín faleceu no ano de lançamento do filme, sendo este seu último trabalho, seu Filme Testamento, infelizmente em uma Espanha sob a Ditadura Militar de Franco. Elementos alegóricos permeia toda a história, na tradição do Realismo Fantástico e suas diversas metáforas sobre poder, liberdade e repressão.


A trama mostra o retorno ao lar do “Filho Pródigo”: Juan, na casa de sua mãe suicida, dominada por sua tia e suas três primas, em uma composição da Tráde, das Três Graças e seu poder de sedução e morte que tanto perturbam Juan e alguns dos habitantes da provinciana cidade litorânea onde se desenrola a trama. Acreditava-se que as três mulheres haviam desaparecido no mar em meio a neblina, mas elas retornam para o prazer mesclado de medo de Juan. A sequência onde ele simula arrancar os olhos e mostrá-los na palma das mãos para uma das primas é um dos momentos mais fortes e intrigantes do filme, e ainda aponta uma possível influência para a mítica criatura com os olhos nas mãos de O LABIRINTO DO FAUNO. Perturbadoras são as cenas do matadouro, que servem de inspiração para o grande momento em que as mulheres são suspensas como gado a ser sacrificado. A montagem contrapõe as imagens dos corpos das mulheres com as das vísceras dos animais surgindo  através da mutilação de seus corpos no matadouro.


A Direção de Fotografia de MANUEL ROJAS é de um requinte digno de um ourives da luz, das sombras e das cores. Belas sequências noturnas, enquadramentos inusitados, uma atmosfera onírica e ao mesmo tempo sombria nos proporciona um mergulho no abismo da perturbada alma de Juan em suas expressões de violência e desejo represado que explode e transborda sobre as figuras femininas e arquetípicas que povoam seu passado e seu presente. Seu estranhamento, sua loucura expressam o desejo interdito de liberdade, de um Estado de Coisas imobilizado por uma força maior e terrena. Um filme que me surpreendeu bastante, mesmo após tantos anos vendo e revendo filmes, é sempre um prazer esse tipo de descoberta. LA CAMPANA DEL INFIERNO é uma Obra-Prima que não  nos deixa indiferente e merece ser descoberta.
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20 de abril de 2012

IL GATTO DAGLI OCCHI DI GIADA aka WATCH ME WHEN I KILL: Um Giallo surpreendente de Antonio Bido


O grande sucesso da “Trilogia dos Animais” de Dario Argento estimulou uma gigantesca produção de filmes Giallo na Itália que fizeram um grande sucesso comercial nos anos 70 e foram redescobertos com o advento do DVD e da difusão de filmes pela internet. A nova geração de críticos e cinéfilos acabou criando uma forte aura Cult em torno desses filmes que fazem parte do mais italiano dos subgêneros do Horror Cinematográfico, além de serem adorados por fãs famosos como Brian De Palma, John Carpenter, Martin Scorsese, Quentin Tarantino e muitos outros. Dessa gigantesca produção, que parece não ter fim, redescubro filmes esquecidos e de grande qualidade como por exemplo: IL GATTO DAGLI OCCHI DI GIADA, 1977 de Antonio Bido. A forte influência de Dario Argento não está somente no título mas na elaborada composição de seus planos e enquadramentos, com uma estilização incrível das sequências de suspense e assassinato. A excelente trilha sonora lembra muito as atmosferas criadas pelo Goblin em PROFONDO ROSSO e SUSPIRIA.


O brutal assassinato de um farmacêutico na abertura vrilhante do filme, inicia uma trama de mistério onde segredos de família, desejos de vingança e as sempre presentes reviravoltas faz o espectador grudar na tela até seu repentino e inesperado final, digno dos melhores momentos de Daminao Damiani e Fernando Di Leo. Duas sequências se destacam. Primeiro a do assassinato da mulher sozinha no apartamento que tem a cabeça empurrada para dentro de um forno onde ela cozinha um prato delicioso. Essa sequência nos remete diretamente ao brutal assassinato da criada em ROSSO SANGUE aka ANTROPOPHAGUS 2, de Joe D’Amato. A segunda sequência é a do assassinato na banheira, construída com requintes de composição, utilizando uma famosa Ária de Ópera de maneira extremamente diegética. Um Giallo soberbo, altamente recomendado para os fãs ardorosos do subgênero, que eu, particularmente, sou fascinado.

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15 de abril de 2012

DON’T GO NEAR THE PARK: O bizarro Vídeo Nastie de Lawrence David Foldes


Existe uma série de pérolas exploitation com o título iniciado com DON’T. De DON’T GO IN THE WOODS até DON’T GO IN THE HOUSE, passando por DON’T LOOK IN THE BASEMENT até o trailer fake sensacional: DON’T que aparece em GRINDHOUSE, antes do filme do Tarantino. Por coincidência muitos desses filmes   estão na notória lista dos VIDEO NASTIES, como por exemplo  essa pérola que pude conferir nesse domingo: DON’T GO NEAR THE PARK, 1981, dirigido por Lawrence David Foldes.


O filme tenta, através de um texto com letras vermelhas e fundo preto, contextualizar a trama sobre ritos primitivos de busca da eterna juventude através do canibalismo. O interessante aqui é que ao devorar a carne das vítimas, essas envelhecem e o algoz rejuvenesce. Uma espécie de feiticeira com cabelo de bom bril faz a ponte entre o passado, 12 mil anos, até o presente onde um homem precisa desposar e engravidar uma mulher para receber seu filho que poderá garantir sua eterna juventude. As cenas gore são deliciosamente toscas e a menina nascida da tal união recebe um colar mágico que a salva de maneira absurda de um trio de estrupadores. Essa sequência de abuso a uma menor de 16 anos e a morte de um menino pelas mãos da feiticeira observado por um lobo, podem ter sido os motivos pelos quais a Censura britânica baniu esse filme. Ah, um detalhe, a tal feiticeira com cabelão de Bombril aparece com um tapa-olho...


O filme tem seus momentos e até diverte. A mistura de elementos de magia primitiva com cenas gore e de nudez fica meio estranha e perde o tom em muitos momentos, mas para quem procura diversão ou é fascinado pelos Vídeo Nasties vale a pena conferir. A sequência do pai com a menina no zoológico é muito interessante assim como suas elipses na primeira parte. O fogo aparece como elemento primitivo do ritual, em delírio de sangue e horror,  na última sequência seguida de  inesperado epílogo. Enfim, um filme com todos os quesitos de um Cult e muito divertido para fãs ardorosos de tranqueiras geniais.

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11 de abril de 2012

AUTOSTOP ROSSO SANGUE aka HITCH HIKE: O genial Road Movie de Pasquale Festa Campanile.


Na vida de todos nós que amamos o Cinema de Gênero de maneira incondicional existem filmes que conhecemos por sua fama, por seus atores, pelas trilhas sonoras, mas nunca vimos  de fato. Tem os casos daqueles filmes que vimos em cópias muito ruins ou com severos cortes da censura, o que era comum na era  do VHS ou até nos cinemas nos anos 70 e 80. Um desses filmes que somente agora pude ver em uma cópia excelente integral é o Road Movie com forte carga de tensão e suspense: HITCH HIKE, 1977, de Pasquale Festa Campanile. O filme é uma adaptação da novela: The Violence and the Fury, escrita por Peter Kane e tem como protagonistas: FRANCO NERO, no papel de Walter Mancini, um repórter italiano que viaja com a mulher: CORINNE CLÉRY,  no papel de Eve, perto da fronteira com o México, com um trailer. DAVID HESS surge como Adam, o psicopata que pede carona para o casal e passa a aterrorizá-los em um jogo sádico de poder com inúmeras e surpreendentes reviravoltas.


Adam e Eve (Adão e Eva) é uma referência bíblica presente e citada no filme nos devaneios do insabo personagem de Hess, esse ator de um único papel que foi muito aproveitado pelos diretores italianos, só com Ruggero Deodato ele fez ao menos dois filmes que eu me lembre: HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK e BODY COUNT. A forte tensão sexual que rola entre Adam e Eve cresce de intensidade durante todo o filme culminando na bela cena de sexo diante da fogueira sublinhada perla escelente trilha sonora do Mestre: ENNIO MORRICONE. O filme me remeteu diretamente ao clássico de MARIO BAVA: RABID DOGS, por sua tensa e muitas vezes claustrofóbica atmosfera onde a violência e a morte surgem em uma estrada que parece não ter fim e em ambos filmes o final é uma porrada. Falando em desfechos inesperados, o roteiro de HITCH HIKE me surpreendeu por sua reviravolta no que seria naturalmente seu desfecho. Eva aos poucos se transfigura em Lilith pra derrotar seus demônios. Um filme de grandes momentos, imperdível para amantes de road movies e     que surpreende até os cinéfilos mais calejados.

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3 de abril de 2012

LA PRINCIPESSA NUDA aka LA PRINCESA DESNUDA, THE NUDE PRINCESS: Ajita Wilson encontra Cesare Canevari.


Depois de muitos dias sem postar peço desculpas aos leitores. A ausência foi por uma série de motivos um pouco graves mas agora está tudo OK. Dos poucos filmes que pude ver esses dias me chamou a atenção um surpreendente filme do experiente Diretor Italiano: CESARE CANEVARI, um expert em pérolas exploitation como: L’ULTIMA ORGIA DEL III REICH, que conta com a participação como protagonista, da cultuada transex: AJITA WILSON: LA PRINCIPESSA DESNUDA, 1976. A trama gira em torno de uma Princesa africana, comcubina de um Ditador, que viaja para Milão à negócios. Um mistério com relação a sua sexualidade fica claro aos poucos, quando uma nativa de sua tribo surge e revela que ambas são: “Fêmeas Castradas Bantú”. O tal Ditador africana  seria o temido Idi Amin, que aterrorizou Uganda na época, mas nada é muito claro nesse sentido e os produtores chegaram a colocar uma nota na abertura falando que o filme é uma obra integralmente de ficção.


AJITA WILSON nasceu George Wilson em Nova Iorque, no ano de 1950. Iniciou um trabalho como travesti em clubes noturnos até ser descoberta por produtores europeus de filmes eróticos/exploitation e na metade dos anos 70  realizou uma cirurgia de troca de sexo. Seu rosto andrógino e de grande força expressiva encantou diretores como: Jesus Franco, com quem colaborou em filmes como: MACUMBA SEXUAL, onde aparece explicitamente em cenas de nudez frontal onde introduz fálicas imagens vodu em sua vagina recém construída pela cirurgia. Morreu jovem, aos 36 anos, em Roma, mas deixou sua marca no Cinema Exploitation Europeu. Em LA PRINCIPESSA DESNUDA ela desfila vários figurinos e perucas coloridas, sem aparecer frontalmente nua. O filme é construído de maneira quase experimental, com uma linguagem não muito convencional para um filme italiano de forte acento erótico, onde a linguagem costumava ser mais clássica, redonda e linear. Canevari abusou dos planos gerai, da câmera na mão e em uma montagem criativa. O filme desvenda os segredos da Princesa em sequências de grande impacto como a do ritual erótico onde homens e mulheres dançam em transe em torno de uma fogueira, todos despidos e sob o efeito de uma espécie de cigarro  que é oferecido por um sacerdote mascarado. O rosto de Ajita atrás do fogo é uma imagem sublime que nos leva ao momento em que a traumática castração é realizada em um momento de sutileza e grande representação da androginia dos corpos.


A busca da Princesa por um prazer intenso se mistura a sua luta em negociar com o bando de bufões que se sentem intimidados por ela nas reuniões de negócios. Um papparazzi a segue nas suas aventuras eróticas, sem muito sucesso. A sequência da orgia no Bordel de Homens é inacreditável. Vários tipos de homens participam da suruba, de típicos e cafonas galãs italianos até um divertido e animado anão. A sequência final no aeroporto é muito interessante, alucinada onde em um momento mágico a câmera enquadra em close up os olhos de Ajita Wilson e o que vemos são os profundos e cristalinos olhos de uma mulher, sua alma feminina registrada de maneira onírica o que desencadeia uma mudança na personagem que parece renascer. Muito interessante esse filme raro do qual nunca havia ouvido falar. Ajita Wilson tem suas qualidades como atriz, o que fica claro em clássicos exploitation como HELL PENITENTIARY. Não é um primor de interpretação mas fica em um mesmo nível de uma Laura Gemser, por exemplo.  Um filme obrigatório para colecionadores. Existe uma edição da MONDO MACABRO UK excelente.



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18 de março de 2012

UNCLE SAM: Um Filme B surpreendente do Mestre: William Lustig.


Existem cineastas com uma relação tão estreita com os filmes que admiram, que acabam se tornando o tipo de Diretor com quem mais me identifico: Os Diretores Cinéfilos. Exemplos são muitos, de Martin Scorsese, passando por Almodóvar e Tarantino. Mas, um deles tem um charme todo especial: WILLIAM LUSTIG. Além de ser o autor de um de meus filmes de cabeceira mais querido: MANIAC, ele ainda criou uma distribuidora de DVDs e agora de BLU RAYs   com um catálogo primoroso, e edições muito bem finalizadas, com extras incríveis, com muito material produzido pelo próprio Lustig, entre eles pequenos documentários que são registros raros do trabalho de Mestres como: Lucio Fulci, Jesus Franco, Dario Argento e muitos outros.. Claro que estou falando da: BLUE UNDERGROUND. Trabalhando com a subversão do Policial que extermina inocentes em MANIAC COP 1, 2 e 3, Lustig recria esse tema com a figura de um soldado do Exército dos EUA que se transforma em um zumbi vingador, exterminando os que ele considera: “Maus Americanos” no dia 4 de Julho. UNCLE SAM, 1996. Mesmo com poucos recursos, o Diretor conseguiu criar um slasher acima da média, com um discurso bastante ousado com relação ao eterno estado de conflitos bélicos em que os EUA estão sempre envolvidos, no caso desse filme em particular o que se destaca é a primeira Guerra do Golfo, declarada pelo “Bush Pai”


A trama destaca as reações de intensa admiração de um menino por seu tio que retorna da guerra em um caixão coberto pela bandeira norte-americana. O tal tio do garoto se chama: SAM, numa alusão direta a icônica figura criada para incentivar os jovens a se alistarem no Exército. O encontro com um Uncle Sam andando em uma perna de pau, para espiar uma garota nua no banheiro, fornece ao soldado zumbi falante a fantasia perfeita para cometer seu massacre de 4 de Julho. Decaptação, enforcamento e até um absurdo empalamento com uma bandeira são algumas das mortes protagonizadas por essa estranha e vingadora figura. A cena final remete ao clássico de Lucio Fulci: CITY OF THE LIVING DEAD e na entrada dos créditos lemos que Lustig dedica o filme a um Lucio: “For Lucio”. Um filme de grandes qualidades, com bom elenco e feito na raça, com criatividade e deixando os grandes efeitos para o final. Vale muito a pena conferir esse que, por enquanto é a última Direção de Lustig, que parece estar na produção do remake de Maniac, ao lado de Alexandre Aja. Vale muito a pena ver ou rever UNCLE SAM, um filme realmente surpreendente.

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15 de março de 2012

IL DEMONIO: Uma Obra-Prima esquecida de Brunello Rondi.


Existem filmes que são verdadeiros exemplos de ourivesaria cinematográfica e que o tempo e a falta de preservação escondem dos olhos do grande público. Graças aos cinéfilos fanáticos de plantão e as edições restauradas em DVD e Blu Ray essas obras de rara beleza e composição resurgem para o deleite dos verdadeiros fãs do Cinema Italiano, o mais visceral e apaixonante que já existiu. Um desses exemplos em formato de filme é o arrebatador: IL DEMONIO, de 1963, dirigido pelo colaborador de Fellini: BRUNELLO RONDI, com Produção de LUCIANO MARTINO que também é co-autor do Roteiro. O filme é um retrato sensível com fortes tintas neorealistas, da vida atormentada de uma mulher rejeitada pelo amante em um pequeno povoado italiano onde é considerada pelos aldeões uma bruxa, possuída pelo demônio e indiretamente culpada por todas as tragédias locais. Incompreendida, julgada, reprimida, essa singular figura feminina, que está sempre de negro, é interpretada com maestria pela bela DALIAH LAVI, conhecida por sua atuação também marcante e ousada em LA FRUSTA E IL CORPO de Mestre MARIO BAVA.


A bela Direção de Fotografia em Preto e Branco constrói momentos de grande força diegética . Cada enquadramento, cada sequência onde a presença incômoda dessa fascinante mulher de negro que  provoca reações inesperadas de intenso amor e ódio dos aldeões e principalmente de seu amante: Antonio em um jogo de atração e repulsa que encaminha a trama para um desfecho trágico e ao mesmo tempo redentor. As imagens das foices, dos fogos, a presença dos figurantes locais, a figura das mulheres velhas, tudo póssui uma força descomunal que prende o espectador nesse filme de grandes momentos, com uma protagonista inesquecível. A breve sequência onde as mãos da protagonista tocam uma árvore é um exemplo desses pequenos momentos de maestria do Diretor. A sequências onde ela está supostamente possuída pelo demônio andando de barriga para cima se apoiando nas mãos e pés, remete a cena da versão do Diretor de O EXORCISTA onde a menina Reagan desce a escada nessa mesma e estranha posição. A onipresença da força clerical, o ser de espírito livre e selvagem dessa mulher que choca         a população hipócrita e provinciana daquela pequena cidade, acabam por construir um filme grandioso, de intensa poesia com belas locações e imagens que permanecem por um longo tempo nos sonhos de quem teve a sorte de saborear essa rara iguaria do Cinema Italiano intitulada: IL DEMONIO. Um filme da mesma estirpe dos clássicos de Pasolini, Fellini e Visconti.

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11 de março de 2012

THE REDEEMER-SON OF SATAN: O estranho slasher de Constantine S Gochis.


Um filme que assombrou minhas madrugadas na televisão nos anos 80 mostrava um grupo de antigos alunos de uma escola tradicional que se reúnem em um final de semana e são mortos, um a um por um homem misterioso que usa vários disfarces. A atmosfera singular desse filme e a figura de um menino que sai das águas de um lago na abertura e retorna no final, a música, o conteúdo ligado ao ocultismo e ao radicalismo religioso, tudo me marcou nesse filme do qual nunca me lembrava do nome. Dias atrás achamos uma cópia restaurada desse filme, diretamente dos negativos que já se encontravam em um estado bastante precário. O filme se chama THE REDEEMER-SON OF SATAN aka CLASS REUNION MASSACRE, de 1978. Ele é a única Direção de um tal de Constantine S Gochis, do qual não se tem notícias ou informações mais precisas, mas acredito que não se trate de um pseudônimo. Além de apontar caminhos para a vasta produção de slasher movies que tomaria os EUA e o resto do mundo de assalto nos anos 80, The Redeemer possui um forte conteúdo ocultista que acabam lhe conferindo uma aura Cult de obra satanista e obscura. A sequência do menino saindo do lago além de bela tem uma composição apurada e uma série de simbolismos que se mesclam no final quando vemos um detalhe inusitado na mão do Padre e posteriormente na mão do menino. Lindo o enquadramento do lago e da pedra, sem esquecer da sombra que se move sobre ela...


Mas, e as mortes ? Afinal é um slasher... O assassino usa seus disfarces para cometer os assassinatos de maneira performática como na brilhante sequência da faca suspensa, ou usando bonecos com um lança-chamas fatal. É uma mistura de elementos do Dr Phibes e do Jigsaw. A sequência em que ele surge inesperadamente no banheiro onde está uma das meninas é chocante em seu realismo enfatizado pelo não uso de música ou qualquer efeito extra diegético.. A cena onde vemos a jovem rica praticando tiro ao alvo com pombos vivos lançado pelo seu mordomo é chocante e inconcebível  em tempos politicamente corretos atuais. A figura do Padre e seu assustador sermão sobre o Redeemer  é um dos momentos mais interessantes do filme, aparecendo pontualmente dentro da trama, culminando no final repleto dee simbolismos do filme. Tanto o Padre quanto o Redeemer e seus muitos disfarces são de autoria de um só ator:TG FINKBINDER. Obscuro, misterioso, estranho... THE REDEEMER é daqueles filmes que tem o poder de nos surpreender mesmo passados mais de 30 abos. Vale a pena conferir, ver e rever... Obrigatório  para Colecionadores.
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7 de março de 2012

FRIGHTMARE: Um belo exemplar do Horror Cinematográfico de Pete Walker.



A Sessão do Comodoro do dia 7 de março de 2012 deixou muito claro para todos que o Diretor britânico PETE WALKER é um talentoso e criativo autor de atmosféricas e ricamente elaboradas tramas de horror e mistério onde o realismo consegue ser tão, ou mais surpreendente do que o sobrenatural. O longa de Walker exibido foi: FRIGHTMARE, de 1974, sobre uma estranha família de psicopatas praticantes do canibalismo onde a figura da velha matriarca simplesmente rouba a cena de maneira espetacular. Grande atriz, expressividade hipnótica e um arrepiante levantar sutil de sobrancelhas fazem delas uma das maiores vilâs do Cinema de Horror de todos os tempos, sem exageros. A fotografia do filme é incrível em sua criatividade e versatilidade. Vai quase da textura pálida e monocromática até as mais belas e elaboradas tensões cromáticas e composições de luzes e sombras bastante sofisticadas como na primeira sequência diante da lareira ou na devastadora sequência final. O assassinato do namorado da filha é algo extraordinário, digno de aplausos, bela sequência que jamais desaponta os fãs mais exigentes do bom Horror Cinematográfico. Caminhando por fora do esquemão Hammer, Waker pode ser considerado um Mestre do Horror Europeu da categoria de um Fulci ou de um Argento. Sua capacidade de compor cenas de grande beleza e de sangrenta poesia se mesclam a sua força na Direção de atores. Pete Walker é um Cineasta que merece urgente uma retrospectiva para que seja descoberto e redescobert FRIGHTMARE: Um belo exemplar do Horror Cinematográfico de Pete Walker.




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